Friday, January 25, 2008
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe
quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por
gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria
(para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria
(metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o
Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe
Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da
Tabacaria sorriu.
Fernando Pessoa
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe
quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por
gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria
(para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria
(metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o
Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe
Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da
Tabacaria sorriu.
Fernando Pessoa
O senhor da ASAE

O senhor da foto, presidente duma nova polícia que anda dando show mediatico por Portugal, multando a torto e a direito, sempre acompanhado pelas câmaras da televisäo e a quem MST denomina de novo Ayatollah, afirmou do alto da sua autoridade que "se näo quisermos viver nesta sociedade, poderemos sempre emigrar".
Ora bem, eu por näo querer viver nessa sociedade, já o fiz em 2003. Ao contrário de muitos outros compatriotas, que cruzam a fronteira apenas com o intuito de sustentar a família, eu busquei um exílio voluntário, única e exclusivamente porque o país que me viu nascer e onde vivi quarenta e muitos anos, me começou a meter nojo. Como näo faço parte das nomenclaturas que enriquecem robando os impostos pagos pelos portugueses que trabalham, enquanto a chamada justiça assobia para o lado, restava-me apertar o cinto, sobreviver e ir continuando a pagar os sempre elevados impostos que por aí se costumam cobrar. Exilei-me.
Hoje vivo a uns prudentes 1300 kms, desse país putrefacto, num local onde os governantes cumprem aquilo para que foram eleitos ou seja governar e zelar pelo bem estar dos cidadäos. Vivo num local com pleno emprego, sem mendigos, sem drogados a estacionarem carros, sem graffiteiros, um local com parques de estacionamento públicos onde a primeira hora é gratuita, onde as multas por estacionamento custam apenas 12 euros, onde os serviços de saúde e a SS säo eficientes e nos hospitais só existem quartos particulares (mesmo para o mais humilde emigrante), onde a justiça funciona e é eficaz praticamente näo existindo criminalidade. Ou seja o inverso dessa realidade à beira mar plantada.
Que o senhor da ASAE, os seus colegas de partido e já agora os do outro partido que com eles têm dividido a governaçäo, continuem nesse caminho. Caminho que conduziu Portugal ao ridículo em que se encontra hoje na Europa, e que levará à completa ruina do país dentro de alguns anos. Eu por mim, já estou em porto seguro.
Thursday, January 24, 2008
Wednesday, January 23, 2008
Viva Espanha!
Os espanhóis andam preocupados com - imagine-se - a crise económica! No primeiro ano em que houve uma pequena baixa no sector imobiliário, com os preços e as vendas das casas a näo subirem tanto como nos anos anteriores, vem o senhor Rajoy devidamente apoiado pelo cardeal Rouco Varela, a 49 dias das eleiçöes, carregar contra as políticas de Sapatero e agitar o fantasma da crise económica.
Falar-se de crise num país que pelo terceiro ano consecutivo apresenta superavit económico (2% este ano), um país cujo PIB per capita näo para de crescer, - a Espanha já ultrapassou a Itália neste capítulo - um país onde a criaçäo de emprego aumenta diariamente (70.000 portugueses trabalham em Espanha neste momento) é para este luso observador perfeitamente patético e anedótico.
Quando como se espera ganhar as eleiçöes, Zapatero colocará as pensöes mínimas nos 850 euros!
Que podem dizer ou pensar os portugueses, um povo apático e desorientado tentando viver com salários e pensöes de miséria, um povo que paga os mais altos impostos da Europa (uma simples botija de gás custa em Portugal mais 4,5 euros que em Espanha) para sustentar uma elite de burocratas tacanhos e corruptos que apenas sabem viver à custa do orçamento do Estado e delapidando o pouco que o país produz? Elite que ano após ano väo conduzindo o país para a mais absoluta miséria?
Que podem dizer ou pensar os portugueses - cujo país desde há dez anos diverge dos restantes da Uniäo Europeia, - habituados a ouvir os políticos de turno no poder afiançar cada ano que no próximo é que será o ano da recuperaçäo? Que o país está em crise económica? Que a culpa é da conjuntura internacional?
Portugal está em crise mas é uma crise de moral. Que dura há trinta anos e näo tem soluçäo. Porque a soluçäo vai contra os interesses dessa mesma elite dominante.
Que digo eu, atento observador disto tudo? - pois, que viva Espanha!
Falar-se de crise num país que pelo terceiro ano consecutivo apresenta superavit económico (2% este ano), um país cujo PIB per capita näo para de crescer, - a Espanha já ultrapassou a Itália neste capítulo - um país onde a criaçäo de emprego aumenta diariamente (70.000 portugueses trabalham em Espanha neste momento) é para este luso observador perfeitamente patético e anedótico.
Quando como se espera ganhar as eleiçöes, Zapatero colocará as pensöes mínimas nos 850 euros!
Que podem dizer ou pensar os portugueses, um povo apático e desorientado tentando viver com salários e pensöes de miséria, um povo que paga os mais altos impostos da Europa (uma simples botija de gás custa em Portugal mais 4,5 euros que em Espanha) para sustentar uma elite de burocratas tacanhos e corruptos que apenas sabem viver à custa do orçamento do Estado e delapidando o pouco que o país produz? Elite que ano após ano väo conduzindo o país para a mais absoluta miséria?
Que podem dizer ou pensar os portugueses - cujo país desde há dez anos diverge dos restantes da Uniäo Europeia, - habituados a ouvir os políticos de turno no poder afiançar cada ano que no próximo é que será o ano da recuperaçäo? Que o país está em crise económica? Que a culpa é da conjuntura internacional?
Portugal está em crise mas é uma crise de moral. Que dura há trinta anos e näo tem soluçäo. Porque a soluçäo vai contra os interesses dessa mesma elite dominante.
Que digo eu, atento observador disto tudo? - pois, que viva Espanha!
Tuesday, January 15, 2008
Monday, January 14, 2008
Monday, January 07, 2008
Sunday, January 06, 2008
El Partido de Dios

Por lo considerar un texto notable paso a transcribir este articulo de opinión publicado en El Periódico de Catalunya en el dia 05 de Enero de autoria de José Manuel Fajardo.
LA IGLESIA CATÓLICA HA CONDICIONADO TRÁGICAMENTE LA VIDA POLÍTICA ESPAÑOLA DESDE HACE 500 AÑOS.
El paréntesis de tolerancia de la derecha, abierto con la transición política en España, se ha cerrado definitivamente. Cuando la izquierda intenta gobernar con medidas de izquierda, la España ultramontana y reaccionaria resurge para negarle el derecho a hacerlo, sembrando la discordia y anatemizando a quienes discrepan de sus opiniones. El Partido Popular ha rescatado el siniestro nacionalismo español que condujo al país a la dictadura franquista, y ahora los obispos rescatan el integrismo católico que ha sido la losa que ha aplastado sistemáticamente los intentos de modernización de España.
Lo acontecido en Madrid, es decir, la actuación de los obispos españoles como si fueran dirigentes de un partido político preconizando la imposición de su ideario no solo a los católicos sino a la sociedad entera, muestra el viejo afán de poder de la Iglesia católica, pero es reflejo también del modo como esa institución ha condicionado trágicamente la vida política española.
La Iglesia católica ha estado vinculada, desde el nacimiento del Estado español, a una concepción del poder autoritaria y despiadada que no ha dudado en sacrificar la vida de millones de españoles --enviándolos a la hoguera, al cadalso, a la cárcel o al exilio-- durante casi 500 años. No es casual que los primeros monarcas de España se llamaran Reyes Católicos. Ellos instauraron una alianza con la Iglesia para poner en marcha la primera maquinaria totalitaria de la modernidad: la Inquisición española.
Estado e Iglesia se confundieron y se utilizaron, en mutuo beneficio, durante los 350 años que duró la Inquisición. En ese tiempo, doctos clérigos enviaron a la tortura a cientos de miles de personas y ejecutaron al menos a 40.000; se persiguió cualquier forma de pensamiento disidente del catolicismo oficial; se obligó a convertirse a buena parte de las numerosas comunidades españolas judía y musulmana (siempre con la idea de que solo lo católico es auténticamente español) y se expulsó sin piedad a quienes se negaron a hacerlo.
Después, la mayor parte de la Iglesia española se embarcó en un sistemático acoso a aquellos judíos y moriscos que se habían convertido, víctimas predilectas de los inquisidores, anticipándose de nuevo a lo peor de nuestro tiempo, al establecer los llamados Estatutos de limpieza de sangre, las normas que discriminaban a quien tuviera un origen judío, por muy católica que fuera su fe. Un auténtico sistema de limpieza étnica y racista que envenenó la vida social al predicar la delación del vecino como valor moral, y sembró una semilla de intolerancia cuyos frutos continuaron incluso después de desaparecida la Inquisición.
Cada intento de ganar espacios de libertad en España ha chocado desde entonces con esa intolerancia católica. Una intolerancia que está latente en cualquier religión monoteísta organizada, pues si siempre es peligroso creerse en posesión de la verdad absoluta, todavía lo es más cuando se pretende que esa verdad ha sido revelada directamente por Dios. De las funestas consecuencias que tal punto de vista comporta da testimonio la historia del Papado de la Iglesia católica, llena durante siglos de conspiraciones, crímenes, guerras y abusos.
La Iglesia católica ha sido y es un Estado, con sus intereses y sus vicios, aunque estos se enmascaren tras beatíficas palabras y declaraciones de buenas intenciones, y en España ha vivido en simbiosis con el Estado español, condicionando sus decisiones y la vida cotidiana de generaciones de españoles, víctimas además en su vida familiar de la manipulación de sus enseñanzas, que han predicado una visión traumática y castradora de la sexualidad.
Se puede decir que, en buena medida, el progreso de la sociedad española ha pasado históricamente por los esfuerzos tendentes a poner fin a esa posición privilegiada de la Iglesia. Y en esos esfuerzos no han faltado tampoco católicos que desde el interior la Iglesia han alzado sus voces contra la intolerancia que se practicaba en nombre de su fe. Bartolomé de la Casas, que salió en defensa de los derechos de los indios americanos. Alonso de Cartagena, que se opuso a la persecución de los judíos conversos. Juan XXIII, que abrió la Iglesia al diálogo ecuménico. El cardenal Tarancón, que preconizó la separación de la Iglesia de la dictadura franquista. Pues si hay un riesgo de totalitarismo en toda religión organizada, ese riesgo no es necesariamente fatal, a condición de que en el seno de la Iglesia haya y tengan peso suficiente voces que alerten de él y que defiendan un espacio para la fe que sea respetuoso con quienes no la comparten. Lo mejor de la Iglesia católica se ha manifestado siempre cuando ha sido capaz de respetar a los otros.
Sin embargo, los obispos pretenden que el poder político solo es legítimo si se atiene a la moral católica disfrazada de ley natural. Que el Opus Dei, un producto del nacionalcatolicismo franquista, domine la política vaticana, quizá explique por qué ese tipo de actitudes cuentan con un respaldo papal inmerecido y equivocado, y también por qué los obispos han decidido actuar, sustituyendo ecumenismo por sectarismo, como si fueran el partido de Dios.
Claro que no hay que olvidar que Benedicto XVI fue durante años el director del organismo que sustituyó a la Inquisición en el seno de la Iglesia. Y es que la Historia pesa mucho.
Saturday, December 22, 2007
Merry Christmas John Lennon
Bon Nadal i Feliç 2008
Bom Natal e Feliz 2008
Happy Christmas and an Happy 2008
El Tio em Catalunha

O Tió é uma tradiçäo muito popular na Catalunha, que consiste numa maneira de distribuir os presentes no Natal. Basicamente trata-se de um tronco (tió) que se encontra envolvido por uma manta sob a qual se encontram os presentes. Antigamente os presentes eram torräo e outras guloseimas de Natal; agora encontram-se mais brinquedos electrónicos e barbies. Os pequenos da casa, cantando uma cançoneta e dando bastonadas no Tió, fazem-no "cagar" os presentes de Natal. "Caga tió, tió del bo si no et dono un cop de bastó" (Caga tió, tió bom, se näo dou-te um golpe de bastäo).
O tronco está coberto com uma manta para que näo arrefeça - diz-se às crianças, mas que serve para cobrir os presentes.
Para que o tió faça uma boa cagada deve ser alimentado durante os dias que precedem o Natal. Antes de começar a "cagada del tió" as crianças säo levadas a outra dependencia da casa (cozinha por exemplo) a molhar o pau com que malharäo no tió (altura que os pais aproveitam para esconder os presentes debaixo da manta).
Depois das bastonadas e das cançôes, destapa-se o tió e distribuem-se os presentes.
O tronco é depois queimado na lareira da casa servindo assim para aquecer o lar.
Wednesday, December 19, 2007
Fez

He visitado Fez por la primera vez en el lejano año de 1973. Poco ha cambiado la ciudad - cuya medina ha sido declarada en 1976 Patrimonio de la Humanidad por la UNESCO,- desde entonces. Fez es una ciudad que ante todo hay que sentir. La ciudad está estructurada en tres unidades urbanas muy bien diferenciadas. La mas importante es Fez el Bali, la vieja medina árabe, después y no menos importante de ponto de vista histórico Fez el Jedid un conjunto que contiene el viejo barrio judío y el Palacio Real. Mas a sur está la mas reciente la Nouvelle Ville edificada por los franceses durante su protectorado, una ciudad como cualquiera otra sin gran interés cultural.
En las zonas antiguas es interesante ver el espectáculo de la calle. Pasan convoys de burros en estrechas callejuellas de regusto medieval, transportando las mas variadas variadas cosas. Hay que mirar sus patios, terrazas, zocos cúpulas y minaretes; huele a hierbabuena y a mugre, al jazmín y al azahar que destilan sus perfumistas y a las montañas apiladas de clavo, comino, azafrán el las tiendas de los zocos. El barrio de los curtidores, con su horrible olor.
Sus tejados lisos se llenan de creyentes que desenrollan sus tapiz de oración y se vuelven hacia Meca, a la llamada de los muezzins que chillan por los altavoces cinco veces al día. En el interior de Fez el Jedid se encuentra el barrio judío, o mellah, muchos de sus habitantes eran andaluces o portugueses huidos de la inquisición.
El asalto a los sentidos que provoca su visita es algo mágico. Una verdadero somorgujo en la Edad Media.
Wednesday, December 12, 2007
Saramago Iberico

Esta a entrevista que causou grande furor em Portugal e estupefacçäo em Espanha, e que por ser mencionada no post anterior passo a incluir:
"Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha" - José Saramago
JOÃO CÉU E SILVA (texto e foto)
Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um "exílio" na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista.
Durante dois dias, o Nobel da Literatura português sentou-se no sofá e analisou o estado do mundo.
Na única entrevista que concedeu durante a temporada passada na sua casa de Lisboa, falou muito de política, mais de literatura e também da vida e da morte. Pelo meio ficou o anúncio da criação da fundação com o seu nome e a revelação de que está a escrever um novo livro.
A união ibérica
Este regresso a Portugal é um perdão?
O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.
Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?
Acho que é uma situação natural.
Qual é o futuro de Portugal nesta península?
Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.
Política, económica ou culturalmente?
Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas...
Seria, então, mais uma província de Espanha?
Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?
Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!
A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.
E os portugueses aceitariam a integração?
Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.
E como é que seria esse governo da Ibéria?
Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.
Há duas Espanhas
Os espanhóis olham-no como um deles?
Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve.
Mas não pode negar que o olham como um deus...
Não diria tanto...
Mesmo sendo a crítica espanhola tão positiva em relação à sua obra?
Também já foi uma ou outra vez um pouco negativa - talvez devido às minhas posições políticas e ideológicas - mas de um modo geral tenho uma excelente crítica em toda a parte, como é o caso dos EUA, onde é quase unânime na apreciação da minha obra.
Monday, December 10, 2007
Union Iberica?

Ian Gibson en su articulo de opinión de “El Periódico de Catalunya” de ayer intitulado “De espaldas a Portugal” afirma que España siempre da la impresión de vivir de espaldas a Portugal, casi como se no existiera.
¿De dónde procede este no sentir a Portugal como algo cercano¿ pregunta. Del hecho que para los españoles el portugués hablado es más difícil de entender que para los portugueses el español para los portugueses? ¿De percibir o sospechar cierta hostilidad latente en muchos portugueses hacia España, hostilidad – segundo Gibson - originada siglos atrás con la anexión española de su territorio entre 1580 y 1640 y la siguiente guerra de independencia?
Ian Gibson piensa que sobretodo se trata de un problema lingüístico.
De hecho – afirma – se habla poquísimo de Portugal en los medios de comunicación españoles y que, para muchísimos ciudadanos, Portugal podría estar en la luna, o más allá.
Será que una hipotética unión de los dos países podría funcionar y superar recelos previos?
El fervoroso republicano Antonio Machado nada más producirse el cambio de 1931 aludió a la posibilidad, que reconocía lejana, de tal matrimonio.
Hoy en día es José Saramago – el primer escritor portugués que se ha hecho popular en España, quien vuelve a levantar la bandera de una futura Ibéria. Sus declaraciones al respecto acaban de recibir el beneplácito de otro premio Nobel, - Günter Grass – cujo apego a las tierras de Pirineos es bien conocido, y también tiene casa de verano en e Algarve portugués, que ha manifestado que la creación e un estado ibérico y federal que integrara Portugal y España “es una propuesta interesante” y ha añadido que “Un estado ibérico también tendría, en Europa un peso mucho mayor que el de dos estados aislados”.
Parece indudable pos se trataría de un Estado de unos 55 millones de habitantes, ubicado inmejorablemente entre Europa África, orientado tanto hacia el Atlántico como al Mediterráneo, y por lo tanto con un potencial extraordinario.
Pero que opina el pueblo lusitano de todo eso? Pregunto yo.
De momento casi 30% de a población aprobaría la integración de Portugal en España y pienso que dentro de unos años este numero se incrementará. La calidad de vida en Portugal se aleja cada ves más de la media europea, fruto de políticas erróneas e gobiernos incompetentes. Los sueldos no suben y los precios, eso si por las nubes a razón de impuestos elevados para sustentar la maquinaria del estado.
Hoy en día todo es más caro en Portugal que en España y los salarios son cerca de 30% menos. Eso cobrará factura dentro de algunos años. Esa tendencia lejos de se atenuar se podrá incrementar. Portugal es hoy en día un país completamente hundido.
En ese sentido será que quieren los españoles heredar un país de pobres? Yo pienso que no. Las empresas portuguesas ya las tienen las van comprando poco a poco.
Pienso en mi modesta opinión que el sueño de la unión ibérica nunca se realizará. No a causa de Portugal pero, eso si, porque antes Cataluña se tornará un estado independiente.
Les uns et les autres - Un parfum de fin du monde
From the film "Les uns et les autres" - Claude Lelouch (1981)
Escenas de Matrimonio

“Escenas de Matrimonio” es el programa més vist a Catalunya.
Per a molta gent, que aquest programa lideri la audiencia amb 800.000 espectadors enganxats al programa és un despropòsit.
José Luis Moreno, el productor d’aquesta sèrie, també ha estat el responsable d’una altre sèrie amb moltissim èxit, potser la de més èxit dels darrers temps de la televisió, - “Aquí no hay quien viva”.
Jo vaig estar enganxat amb las dos.
Encara que els guions són molt repetitius e amb els mateixos incidents entre les tres parelles de diferents edats, (30, 40 i 60) no estic d’acord amb les critiques que acusen la sèrie de mal gust. És veritat que el programa és un d’aquells espais que exigeixen poc a l’espectador. Però és molt divertit i s’han de fer cosas per riure, cosas que ens féssim oblidar el avorrit que ès la vida.
Sunday, December 09, 2007
La Lampara Marina
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Cuando tú desembarcas en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalas de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.
Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entremontes azules,
la polícia
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.
Oh Portugal hermoso,
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes e tormentas.
Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes dónde está Álvaro Cunhal?
Reconoces la ausencia
del valiente
Militao?
Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles rosadas de Lisboa,
pero, sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar y de tu arena?
Sabes
que existe
una isla,
la Isla de la Sal
y Tarrafal en ella
vierte sombra?
Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.
En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.
Sí sabemos,
en remotos países,
que hace trinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.
De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografía.
Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.
La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.
Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieron grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.
Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.
El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.
Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.
Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas del Océano.
Portugal, navegante, >br>descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipiélago en el tiempo.
La súbita
aparición
del pan sobre
la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.
Cómo es esto?
Cómo puedes negarte
al cielo de la lúz tú, que mostraste
caminos a los ciegos?
Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?
Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.
Rompe
las telarañas
que cubrentu fragante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,
aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atravesar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descobrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.
Navega, Portugal, la hora
llegó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.
En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.
Pablo Neruda
(1953)
Saturday, December 08, 2007
Ecoterrorismo

Paul Watson, o líder da organizaçao Sea Shepherd, também acusado de ser um ecoterrorista, prepara-se para partir à caça de caçadores de baleias. Neste momento uma frota de navios japoneses ruma às àguas da Antárctida com o objectvo de caçar mil baleias. Enquanto os seus colegas do Greenpeac, abordam os navios pesqueiros com os seus barcos insufláveis e pancartas de protesto para jornalista ver e opiniao ública mundial consumir, a Sea Shepherd prepara-se para usar métodos menos ortodoxos como seja, abalroamentos ou lançamento para o convés dos navios pesqueiros de granadas de produtos como o àcido botanóico, uma substância que se encontra no vomitado e na manteiga rançosa.
Segundo Paul Watson - que foi expulso da Greepeace que ajudou a fundar em 1975 por ser considerado demasiado agressivo, - há que salvar a Migaloo, uma rarísima baleia de bossa branca que habita os mares do Sul.
A Sea Shepherd já afundou no porto de Lisboa o baleeiro cipriota Sierra, em 1979, colocando e fazendo explodir minas colocadas por megulhadores no casco do navio, e depois disso repetiram a dose em mais nove locais e com outros tantos navios todos dedicados a caça ilegal de baleias. Mas nunca houve danos pessoais.
Thursday, December 06, 2007
Parabens Nini
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